14.9.09

não posso dar-te mousse de chocolate em público



ele tem razão - não conseguimos esconder
sempre que nos encontramos é visível a tensão entre as duas
falamos em modo automático, gestos contidos
e enquanto trocamos palavras, trocamos olhares irrequietos que percorrem cada recanto, evocando recordações, sensações e provocações
os nossos beijos...lentos, molhados, longos, suaves, intensos
adoro os nossos beijos, sinto-te a derreter, a maneira como inclinas a cabeça
a minha mão que desliza pelo teu pescoço e se prende no teu cabelo
esse corpo de proporções perfeitas, o teu cheiro, a forma tão feminina como te mexes
ainda recordo como nos conhecemos, a química imediata
e a capacidade de controlo que tivemos durante tanto tempo
até aquela primeira vez, até todas as nossas primeiras vezes
todas as ruas, as viagens, as casas de banho, as nossas loucuras
serás sempre aquela


e depois de tudo isto apareces ao pé de mim enquanto estou a jantar
ofereço-te da minha mousse de chocolate
levo lentamente a colher à tua boca, duas, três vezes
e deparo com o olhar diagonal dos meus colegas
as interrogações, os filmes naquelas mentes
e tento disfarçar um sorriso


não posso dar-te mousse de chocolate em público
pelos vistos, é um pequeno escândalo

1 comentário:

Anónimo disse...

não é que eu nunca tenha reparado em nada.... :D
TC